
As posições extremam-se entre os que acham ser legitmo tais desabafos e aqueles que consideram completamente desajustado tal comportamento
Diga-se desde já que nunca simpatizei com o estilo "tele-evangelista" de Francisco Louçã. Mas será legitimo a um Primeiro Ministro responder a um deputado - a qualquer deputado - com tamanha dose de sobranceria?
E não se diga que mais uma vez a culpa é da comunicação social, apostada em aproveitar todas as tiradas do nosso PM
Nem se diga que foi um desabafo, um deslize. Afinal estamos a falar de José Sócrates, o mestre da dissimulação e da postura estudada. Quem já viu uma entrevista do homem sabe do que estou a falar. Este é ohomem que, numa anedota que me contaram um destes dias, sairia dos destroços fumegantes do avião do presidente da Polónia, com o fato impecável e a declarar que a notícia do acidente era uma campanha negra contra ele.
Também não me parece relevante a objecção de que aquela seria uma conversa privada. Apesar dos microfones desligados foi claramente perceptível o comentário ordinarote. Em especial para o visado. E as televisões estavam lá, a RTP2 transmitia em directo.
Parece-me que existe uma linha muito clara entre o desabafo e a má criação pura e dura. Sócrates até poderia ter produzido uma pérola de elegância, sei lá "Cordata é a irmã da sua progenitora, senhor deputado!". O que é absolutamente insuportável é a atitude de amesquinhamento e desrespeito do sr. PM. Não só para com o deputado como, em ultima análise, para com todos os cidadãos que votaram em Louçã.
Por este andar ainda acabamos é como os deputados sul-coreanos, ao murro e ao pontapé!
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