17 Abril 2010

Puta que pariu!

A graçola boçal do nosso PM em resposta a uma invectiva do deputado Louçã, parece estar a gerar uma espécie de mini-tornado na cena politica.

As posições extremam-se entre os que acham ser legitmo tais desabafos e aqueles que consideram completamente desajustado tal comportamento

Diga-se desde já que nunca simpatizei com o estilo "tele-evangelista" de Francisco Louçã. Mas será legitimo a um Primeiro Ministro responder a um deputado - a qualquer deputado - com tamanha dose de sobranceria?

E não se diga que mais uma vez a culpa é da comunicação social, apostada em aproveitar todas as tiradas do nosso PM

Nem se diga que foi um desabafo, um deslize. Afinal estamos a falar de José Sócrates, o mestre da dissimulação e da postura estudada. Quem já viu uma entrevista do homem sabe do que estou a falar. Este é ohomem que, numa anedota que me contaram um destes dias, sairia dos destroços fumegantes do avião do presidente da Polónia, com o fato impecável e a declarar que a notícia do acidente era uma campanha negra contra ele.

Também não me parece relevante a objecção de que aquela seria uma conversa privada. Apesar dos microfones desligados foi claramente perceptível o comentário ordinarote. Em especial para o visado. E as televisões estavam lá, a RTP2 transmitia em directo.

Parece-me que existe uma linha muito clara entre o desabafo e a má criação pura e dura. Sócrates até poderia ter produzido uma pérola de elegância, sei lá "Cordata é a irmã da sua progenitora, senhor deputado!". O que é absolutamente insuportável é a atitude de amesquinhamento e desrespeito do sr. PM. Não só para com o deputado como, em ultima análise, para com todos os cidadãos que votaram em Louçã.

Por este andar ainda acabamos é como os deputados sul-coreanos, ao murro e ao pontapé!

06 Abril 2010

u-boats

Portugal e a Grécia partilham pelo menos mais alguma coisa do que a desgraça das finanças: a aquisição dos mesmos submarinos à Alemanha. O tal país solidário em que os governantes tecem críticas ao carácter parasita de alguns países - leia-se Grécia, Portugal e quicá Espanha.

Pela minha parte, proponho uma forma simples de resolver tudo isto: devolve-se os barquinhos subaquáticos aos boches com um cartãozinho a dizer: "desculpem lá o mau jeito, tão carregadinhos de razão, nós não temos dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para comprar submarinos. Temos pena, tomem lá os barquitos de volta, não há euros para os pagar." E prontes, a malta grega e tuga livra-se de um quinhão valente do deficit - praí uns mil milhões de euros no caso nacional, basicamente o dobro para os gregos. Os boches ficam com os barquitos na mão mas livram-se de ter de dar dinheiros para estes preguiçosos degenerados do sul. Ou então aceita-se aquela sugestão de vender ilhas, neste caso de trocar ilhas por submarinos. Aqui por estes lados não sei se os boches aceitam as Selvagens ou se teremos de lhes dar também o Pessegueiro...

( na imagem: o afundamento do Lusitannia por um submarino alemão em 1915)

24 Março 2010

Congelados

Começou pelos salários da Administração Pública (curiosidade: tb. estarão incluídos os salários de ministros e deputados?). Depois foi o TGV ( mas não o Aeroporto ). A seguir anunciou-se que os congelamentos se estenderiam a um conjunto de despesas de apoio social: RSI, subsídio de desemprego, até o Complemento Social para Idosos.

É por isso da mais elementar justiça que seja também congelada a aplicação da tributação às mais valias bolsistas, não se percebendo os rebates de má consciência de alguns deputados do PS.

Finalmente fica também congelada a privatização da RTP aparentemente por necessidade de "«reequilíbrio financeiro», nas palavras do inefável Teixeira dos Santos. Permitam que traduza: até que o Estado nela injecte o dinheiro (dos contribuintes) suficiente para anular o grosso défice e a tornar apetecível para algum salvador capitalista. Business as usual: privatizar o lucrativo e nacionalizar os buracos financeiros

22 Março 2010

São rosas, senhor!

Correio da Manha - Socrates gasta 63 mil € em flores

O Paço do Duque e a placa incómoda

Aqui há uns anos os vendedores da memória resolveram requalificar um casarão em ruínas existente ali para os lados do Chiado num condomínio de luxo. O casarão era a antiga sede da PIDE e, além do mais, afixada na parede estava uma placa que lembrava o último crime da PIDE: o metralhar de gente inocente que provocou o único sangue do dia 25 de Abril de 1974

Contra ventos e marés o condomínio fez-se e o projecto-compromisso de ali manter um memorial da polícia política de Salazar foi, como o socialismo de Soares, metido na gaveta. Até mesmo a pobre da placa foi removida. Para obstar -dizem - a algum sobressalto nocturno dos ilustres moradores de tão nobre condomínio.

Novos protestos e a placa lá acabou por ser recolocada. A uma altura que me lembra o título do blog de um amigo meu e expressão que usávamos nos idos de 70 para designar a atitude de não levantar problemas: "rente à relva".

Novos protestos de uns tipos chatos do "Não Apaguem a Memória" levaram a um "reposicionamento" da placa. Reposicionamento é uma palavra toda moderna que costuma querer significar que se muda alguma coisa para nada mudar. Foi o que se fez. A placa subiu, subiu, como o balão do Festival, e ficou lá em cima numa altura conveniente onde ninguém dê por ela.

Um dia talvez ( seguramente! ) a placa seja colocada à altura dos olhos de quem passa e as letras pintadas para que fiquem legíveis. Hoje já não existe a conveniente ajuda da PIDE para calar os chatos que insistem em protestar.

Ficará é claro a história daqueles para quem as razões do lucro têm mais valor que a memória do sofrimento de um povo.

Fotos por Raimundo Narciso