Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

De Frost a Seeger

Recentes citações de um amigo vieram recordar-me um autor que já não lia há coisa de três décadas: Robert Frost. Acudiu-me à memória um poema que me marcou, "On a Tree Fallen Across the Road", uma alegoria sobre as surpresas que a vida nos reserva e a nossa capacidade de as superar And yet she knows obstruction is in vain: We will not be put off the final goal We have it hidden in us to attain, Not though we have to seize earth by the pole E como os pensamentos são como as cerejas, o poema de Frost levou-me de imediato à canção de Pete Seeger que se tornou num dos hinos mais fortes do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos dos anos 60. Com a diferença - essencial! - de que aqui a mensagem já não é individual mas colectiva: "we shall overcome, some day"

A mulher adúltera

"Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: 'Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso?' Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: 'Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.' Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mul

Desculpas

Afinal quem deve um pedido de desculpas? O António Costa?... A Cristas que liberalizou o plantio de eucaliptos?... Os que extinguiram os guardas florestais?... Os que quiseram entregar os baldios à gula das celuloses?... Os que privatizaram o combate aos incêndios, criando um negócio lucrativo?... O senhor do "petróleo verde"?... Todos os que, desde os anos 60, contribuiram para a liquidação do mundo rural, para o despovoamento do interior, para a substituição da mata tradicional por manchas intermináveis de pinheiro e sobretudo  de eucalipto?

Salamaleques

Na semana em que o Raposão apresentou o seu execrando folheto sobre Alentejo e alentejanos, o assunto que mereceu a indignação da nossa educada imprensa foi uma suposta falta de educação de deputadas da "geringonça" - BE, PCP e PEV - que tiveram o supremo atrevimento de não aplaudir o estreante PR. Tamanha falta de cortesia seria então extensível aos alentejanos presentes na apresentação do inefável Raposão. Indiferentes às mais elementares regras de cortesia, atreveram-se a cantar durante o evento, abandonando de seguida a sala. Pessoas bem educadas teriam obviamente assistido até ao fim em silêncio e sublinhado o final com um cortês e respeitoso aplauso. De volta ao Parlamento, e esquecendo o facto de tal ocorrência não ser exatamente novidade ( como, muito bem, sublinha o Vítor Dias aqui ), parece ser entendimento de certas inteligências bem pensantes na nossa "imprensa de referência" que faz parte das funções de deputado bater palmas  no final das interve

BullyinGR

"I care not what puppet is placed upon the throne of England to rule the Empire on which the sun never sets. The man who controls Britain's money supply controls the British Empire, and I control the British money supply."  Nathan Mayer Rothschild, 1815 Dita há exactamente dois séculos atrás pelo funding father do capitalismo global, esta é hoje mais do que nunca a máxima dos gurus grandes e minúsculos da chamada economia liberal e das leis dos "mercados". Os serventuários do grande capital encaram a democracia como o melhor sistema sempre e quando sejam eles ou os seus amigos a ganhar. Para esta gente, um governo que, ainda que de forma tímida - e é isso que o governo grego é - lhes faça frente é algo de inaceitável. O folhetim a que vimos assistindo e a que, certamente por piada, chamam negociação, só terá paralelo com as conferencias que sucederam ao final da I Grande Guerra e que culminaram no tratado de Versalhes. As exigências drásticas ai impostas à Al

Vemo-nos gregos para pagar

O Manel dava voltas e mais voltas na cama, sem conseguir dormir. A Maria, impedida de dormir pelas voltas do marido pergunta-lhe: "Atão Manel, que se passa homem?", "Ai mulher, amanhã vence a letra de 500 contos ao vizinho Alberto e eu não tenho dinheiro para lhe pagar." "Ai, então é isso?", responde-lhe a Maria. "Pera ai que eu já resolvo o problema." A Maria levanta-se e, após alguns minutos, volta decidida: " Vá Manel, já podes dormir descansado!", "Então Maria??!!", "Olha fui bater à porta do vizinho e dizer-lhe que não tens dinheiro para lhe pagar, agora quem não dorme é ele!" Vale tudo para dobrar a escolha de um povo. A ameaça, a chantagem, a tentativa de suborno. Habituados a yes-men subservientes os DDTs europeus espumam de raiva com os resultados das eleições gregas. Para esta gente a democracia só é válida quando os povos votam de acordo com os seus desejos. Para a corte da Sra Merkel a verdadeira votação

Puta que pariu!

A graçola boçal do nosso PM em resposta a uma invectiva do deputado Louçã, parece estar a gerar uma espécie de mini-tornado na cena politica. As posições extremam-se entre os que acham ser legitmo tais desabafos e aqueles que consideram completamente desajustado tal comportamento Diga-se desde já que nunca simpatizei com o estilo "tele-evangelista" de Francisco Louçã. Mas será legitimo a um Primeiro Ministro responder a um deputado - a qualquer deputado - com tamanha dose de sobranceria? E não se diga que mais uma vez a culpa é da comunicação social, apostada em aproveitar todas as tiradas do nosso PM Nem se diga que foi um desabafo, um deslize. Afinal estamos a falar de José Sócrates, o mestre da dissimulação e da postura estudada. Quem já viu uma entrevista do homem sabe do que estou a falar. Este é ohomem que, numa anedota que me contaram um destes dias, sairia dos destroços fumegantes do avião do presidente da Polónia, com o fato impecável e a declarar que a notícia

u-boats

Portugal e a Grécia partilham pelo menos mais alguma coisa do que a desgraça das finanças: a aquisição dos mesmos submarinos à Alemanha. O tal país solidário em que os governantes tecem críticas ao carácter parasita de alguns países - leia-se Grécia, Portugal e quicá Espanha. Pela minha parte, proponho uma forma simples de resolver tudo isto: devolve-se os barquinhos subaquáticos aos boches com um cartãozinho a dizer: "desculpem lá o mau jeito, tão carregadinhos de razão, nós não temos dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para comprar submarinos. Temos pena, tomem lá os barquitos de volta, não há euros para os pagar." E prontes, a malta grega e tuga livra-se de um quinhão valente do deficit - praí uns mil milhões de euros no caso nacional, basicamente o dobro para os gregos. Os boches ficam com os barquitos na mão mas livram-se de ter de dar dinheiros para estes preguiçosos degenerados do sul. Ou então aceita-se aquela sugestão de vender ilhas, neste caso de troc

Congelados

Começou pelos salários da Administração Pública (curiosidade: tb. estarão incluídos os salários de ministros e deputados?). Depois foi o TGV ( mas não o Aeroporto ). A seguir anunciou-se que os congelamentos se estenderiam a um conjunto de despesas de apoio social: RSI, subsídio de desemprego, até o Complemento Social para Idosos. É por isso da mais elementar justiça que seja também congelada a aplicação da tributação às mais valias bolsistas, não se percebendo os rebates de má consciência de alguns deputados do PS . Finalmente fica também congelada a privatização da RTP aparentemente por necessidade de " «reequilíbrio financeiro», nas palavras do inefável Teixeira dos Santos. Permitam que traduza: até que o Estado nela injecte o dinheiro (dos contribuintes) suficiente para anular o grosso défice e a tornar apetecível para algum salvador capitalista. Business as usual: privatizar o lucrativo e nacionalizar os buracos financeiros

O Paço do Duque e a placa incómoda

Aqui há uns anos os vendedores da memória resolveram requalificar um casarão em ruínas existente ali para os lados do Chiado num condomínio de luxo. O casarão era a antiga sede da PIDE e, além do mais, afixada na parede estava uma placa que lembrava o último crime da PIDE: o metralhar de gente inocente que provocou o único sangue do dia 25 de Abril de 1974 Contra ventos e marés o condomínio fez-se e o projecto-compromisso de ali manter um memorial da polícia política de Salazar foi, como o socialismo de Soares, metido na gaveta. Até mesmo a pobre da placa foi removida. Para obstar -dizem - a algum sobressalto nocturno dos ilustres moradores de tão nobre condomínio. Novos protestos e a placa lá acabou por ser recolocada. A uma altura que me lembra o título do blog de um amigo meu e expressão que usávamos nos idos de 70 para designar a atitude de não levantar problemas: "rente à relva". Novos protestos de uns tipos chatos do "Não Apaguem a Memória" levaram a um &

E pur si muove

PSP conclui que Leandro não se queria matar - Educação - PUBLICO.PT E, em 1633, a Inquisição conclui que Galileu estava errado e que afinal sempre era o Sol que andava à volta da terra

Umas coroas para a canalha

Eu juro por todas as alminhas que quando ouvi pela primeira vez a noticia a minha consideração por Teixeira dos Santos subiu em flecha. "Ora aqui está finalmente um valente que se vai atrever a acabar com a chulice dos incontáveis assessores, secretárias de assessores e outras prebendas ligadas aos gabinetes de ministro que vivem à tripa forra à custa do Orçamento". Isto era eu a pensar - "I should have known better!" Ministro das Finanças classifica remunerações de presidentes de junta como “money for the boys” - Política - PUBLICO.PT

Robin Book

O meu caro homónimo Rui Bebiano comenta, no seu blogue "A Terceira Noite" , uma realidade peruana de produção de cópias ilegais de livro. A história destes "piratas do livro" traz-me de forma iressistivel a lembrança dos ultimos eventos relacionados com o grupo Leya. E dou comigo a pensar que para além dos argumentos esgrimidos a favor destes Robin dos Bosques do papel, aqui pelo burgo podiamos ajuntar mais um: quando algum editor "respeitável" se lembrasse de eliminar os "excedentes" poderiamos sempre recorrer a esta produção "alternativa" para adquirir a obra "fora de mercado. Era uma benesse!

Charles Dickens

Existe em Fronteira um juiz que acha que o melhor para uma criança é fechá-la num lar. Sustentando a decisão na sua própria interpretação de conceitos e diagnósticos para o qual não está ( nem se espera que esteja ) tecnicamente capacitado. Se não se permite a um psicólogo tomar decisões judiciárias porque se tolera poder um juiz tomar decisões que aparentemente vão contra os proprios pareceres dos especialistas? Será que o superior interesse da criança consiste em separá-la dos pais, da família, dos amigos? Não haveria outras soluções menos penalizantes para a menor? Esta gente não tem filhos?? Este é aliás um problema recorrente na justiça em Portugal: o de um juiz se arrogar o direito de decidir ao arrepios de pareceres tecnicos, como se fosse detentor da verdade única e mais sábio que os sábios. Que se apresenta na primeira aula das Faculdades de Direito deste país oi exemplo de Salomão! LINHA DA FRENTE - Vídeos Multimédia RTP